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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Por Rodolfo Mohr *
“Presidenta, não se preocupe. Este é o Rodolfo, líder da oposição de esquerda da UNE. E eu sou o líder da situação de esquerda da UNE”. Dessa forma, André Tokarski, Presidente da União da Juventude Socialista e ex-Diretor da UNE, ajudou a “quebrar” o clima, na reunião dos diretores da UNE, da UBES e da ANPG com a Presidente Dilma, dia 31 de agosto.
Exatamente antes de Tokarski, apresentei o que seria o nosso único compromisso com o governo: seguir ocupando reitorias, trancando escolas e realizando passeatas por todo o Brasil. Nossa pauta: 10% do PIB para Educação para garantir as urgentes demandas das educação brasileira em todos os níveis.
Ainda disse que vamos enfrentar o governo, que novamente apresenta o orçamento da união com quase 50% dos recursos destinados para o pagamento da dívida pública, eufemismo para a bolsa-banqueiro. A educação segue com cerca de 5%. Evidentemente Dilma e os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República) e Fernando Haddad (Educação) não gostaram nada do que ouviram, o descontentamento estava explícito.
Antes e depois dessa reunião, mobilizações estouraram por todo o país contra o projeto educacional do governo petista. Além de insuficiente, o REUNI não foi cumprido na integralidade. De fato se consumaram as críticas de 2007, ano do decreto que instituiu a expansão, de que não se podia duplicar as vagas nas universidades públicas com apenas R$ 2 bilhões de reais.
Das capitais ao Brasil profundo: de Santa Maria-RS a Teresina
No dia seguinte a reunião, 1º de setembro, a Reitoria da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foi ocupada pelo movimento estudantil. Melhorias para o Hospital Universitário de Santa Maria, concurso público para professores e servidores para diversos cursos, mais recursos para Assistência Estudantil – reformas das Casas de Estudante em Santa Maria e ampliação das moradias em Frederico Westphalen, o direito de 3 refeições diárias no Restaurante Universitário, além de diversas pautas específicas e gerais que retratam o descaso com a Educação Pública. Já são 8 dias de ocupação.
A ampliação promovida nas Universidades federais estava mais vinculada à produção de estatísticas para a campanha de Dilma Presidente do que com o atendimento da demanda da juventude brasileira de acesso à educação pública, gratuita e de qualidade.
Na semana seguinte a reunião com a Presidente, ocorreu uma importante rebelião estudantil e popular em Teresina no Piauí. O prefeito Elmano Férrer (PTB) propôs aumento da tarifa de ônibus de R$ 1,90 para R$ 2,10. A primeira manifestação contrária juntou 200 estudantes e foi duramente reprimida pela tropa de choque da Polícia Militar com spray de pimenta e tiros de bala de borracha. A indignação cresceu e durante cinco dias a população mobilizada, nos últimos juntos cerca de 15 mil pessoas, incendiaram ônibus e barraram o aumento. O prefeito voltou atrás e congelou o preço por 30 dias, prorrogáveis por mais 30.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Por Nathalie Drumond e Rodolfo Mohr*
Dentro de poucos dias a nova diretoria da UNE, eleita no último dia 17 em Goiânia, será empossada. A Oposição de Esquerda – a qual reúne diversos coletivos do movimento estudantil como o Juntos!, o Rompendo Amarras, Vamos à Luta, Contraponto, Levante, Viramundo, Rebele-se e nos quais se organizam os militantes da juventude do PSOL – assumirá neste novo mandato mais responsabilidades. Nossa bancada cresceu em delegados e em presença política. Pautamos o 52º Congresso da UNE com nossa firme posição contra o novo Código Florestal e tomando como exemplo a luta dos indignados espanhóis.
Conformamos uma chapa que obteve uma expressiva votação. Cerca de 20% dos delegados votaram por UNE livre e independente, que não seja meramente uma juventude do Planalto. A partir de então, queremos aumentar a fração da UNE que irá potencializar as lutas da juventude e da educação nas ruas de todo o Brasil. Para nós, essa disputa começa na luta pelos 10% do PIB para Educação.
10% PIB: um discurso consensual, duas práticas vigentes
Uma das votações consensuais no 52º Congresso da UNE foi a defesa dos 10% do PIB para Educação. Esta é uma bandeira histórica do movimento de educação no que diz respeito ao financiamento público. Lá se vão décadas em que as entidades e movimentos apresentam à sociedade e ao governo a necessidade de multiplicar o orçamento da Educação.
Os desafios são enormes: erradicação do analfabetismo, universalização com qualidade da educação básica, expansão imediata da Universidade Pública.
Mas como colocamos isso em prática? De um lado, a direção majoritária da UNE, ligada ao governismo, não tem a independência necessária para dar essa disputa. Estão atrelados ao projeto de Dilma, que compromete quase metade do orçamento da União ao pagamento de títulos da dívida pública aos banqueiros. É um verdadeiro escândalo. O “espetáculo do crescimento” tornou o “andar de cima” de nossa pirâmide ainda mais abastado, enquanto Dilma passou a tesoura em R$ 50 bilhões de reais das áreas sociais.
Está nas mãos da Oposição de Esquerda da UNE a possibilidade de encampar em todas as Universidades brasileiras esta disputa. Na paralisia da direção majoritária, temos que construir Calouradas e Jornadas de Luta em todos os estados. Neste semestre será votado o Orçamento da União de 2012, portanto temos uma disputa real a travar do em defesa dos 10% do PIB.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Por Eduardo Maia*
Uma nova juventude se mostra hoje no Brasil. Neste primeiro semestre de 2011 observamos por todo o mundo que a juventude aparece, toma as ruas e se manifesta, mostra a sua opinião, exige os seus direitos, luta por dias melhores! Na Tunísia, no Egito, na Espanha, na Grécia, no Chile e mais em vários outros locais do mundo podemos claramente observar essa realidade.
No Brasil vemos hoje uma grande brecha se abrindo para que os indignados também se manifestem aqui. A Marcha da Liberdade é um grande exemplo disso, a juventude está disposta a se mobilizar, falta que se estabeleça um diálogo entre os movimentos hoje já organizados e os demais jovens.
No dia 15 de julho surgiu oficialmente uma nova organização – um novo coletivo, não mais só estudantil, mas da juventude como um todo - disposta a lutar junto com os estudantes, disposta a romper com os muros da universidade e ir junto ensinar e, principalmente, aprender com todos os jovens que hoje não têm condições de entrar nas universidades, quebrando assim com o paradigma do estudante universitário, que na maioria das vezes tende a se enclausurar dentro dos muros da universidade, “os muros da sabedoria”, ignorando todo e qualquer conhecimento que venha dos outros setores da sociedade que não possuam algum título de qualificação.
O Juntos! Juventude em luta vem para mudar isso, vem para aprender com a juventude da periferia ao mesmo que socializa conhecimento. O nosso objetivo é somar. Não trazemos as respostas prontas para todos os problemas, mas trazemos conosco a curiosidade de quem quer descobrir o que fazer, a vontade de quem quer debater sobre as possíveis soluções e o vigor de quem quer lutar contra todas as injustiças que assolam a nossa sociedade, e estamos dispostos sempre a dialogar, sendo essa a nossa grande marca.
Nos dias 13 a 17 de julho participamos do maior encontro estudantil nacional, o Congresso da União Nacional dos Estudantes. Intervimos nesse espaço com o objetivo de fazer oposição a uma diretoria que se entrega aos desmandos do governo federal. Conscientização foi a palavra chave para Oposição de Esquerda, dentro desse encontro. Trazer para o debate temas de grande importância foi a grande missão que tivemos, e saímos desse fórum com um saldo positivo, pois quem pôde participar do CONUNE viu que em todos os locais, em todos os momentos, nos corredores, nas plenárias, nas praças, lá estávamos nós para tentar construir o debate, para falar dos assuntos polêmicos que a UJS e a Kizomba - por serem, respectivamente, campos do PC do B e do PT/DS - têm medo de tratar. Falamos do Código Florestal, falamos dos ex ministros Palocci (Casa Civil) e Nascimento (Transportes), que se envolveram, claramente, em um sistema de corrupção, falamos sem medo de Belo Monte, nos posicionando contra esse projeto que só trará mais destruição e morte.
Tocando nos temas mais polêmicos que levamos ao CONUNE, pudemos observar claramente que os coletivos da direita da entidade estavam extremamente frágeis, débeis diante da sua própria base, pois os mesmos não conseguiam estabelecer uma resposta coerente para dar à juventude, e quando se cantava: “Aldo Rebelo, ex comunista, se vendeu pra bancada ruralista”; víamos a UJS (coletivo ligado ao PC do B, partido do Deputado Aldo Rebelo) calada, e os seus próprios militantes confusos, sem saber o que falar.  
Esse foi o grande emblema do 52° CONUNE, uma oposição qualificada, tendo cada um dos seus mais de 1000 militantes construídos através do mais valoroso debate com a base estudantil, de um lado, e de outro um conglomerado de pessoas despolitizadas e sem saber como se explicarem para os estudantes sobre algumas linhas políticas tomadas.
Durante esse período não foram poucos os golpes que a direção da entidade deu nos Setores da Oposição de Esquerda. Nós do Juntos! durante dois dias consecutivos ficamos impedidos, por várias horas, de entrarmos no nosso alojamento, tendo que ficar no frio, mas nada que tenha abalado os ânimos dos grandes e valorosos lutadores que temos, pois isso só aumentou a indignação do coletivo que se apresentava como a maior bancada da Oposição de Esquerda, com mais de 300 membros.
Este CONUNE também se mostra como reflexo das lutas que a juventude vem travando dentro das suas universidades, no seu dia a dia, pois a bancada da Oposição de Esquerda alcançou uma marca histórica, conseguiu reunir mais de 1000 estudantes (dentre os quais, cerca de 600 delegados), mostrando que dias melhores estão vindo sim! Que os ventos que hoje sopram com força no Chile estão começando a soprar definitivamente no Brasil!
Passado esse encontro, voltamos mais fortes, voltamos revigorados por saber que a proposta do Juntos! é necessária. Vendo atitudes como as que a diretoria majoritária da UNE toma, de boicotar mobilizações democráticas e ameaçar coletivos de serem expulsos dos alojamentos, só mostram que os tempos de repressão da ditadura não se foram, de fato, mas apenas mudaram de máscara, hoje têm uma aparência democrática. Mas não podemos perder de vista que essas atitudes são reflexo de um grupo que hoje se encontra acuado, vendo o crescimento da Oposição de Esquerda, sabendo que a Oposição hoje constrói as lutas dentro dos principais DCE’s do Brasil.
Nossa tarefa é realmente árdua. Como um amigo diz: nosso trabalho é um “trabalho de formiguinhas”; formiguinhas que constroem uma grande estrutura através do árduo trabalho diário e em grupo. Diante disso, convidamos a todos para o debate, para que todos e todas mostrem os seus pontos de vista, de modo a enriquecer a nossa construção política. E por último, e tão importante quanto, convido a todos a virem construir as lutas conosco, com o Juntos!, no debate, nas praças, nas ruas.
Vamos à vitória, camaradas!
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* Eduardo Maia é estudante de Direito da UFOPA e militante do Coletivo Juntos! Juventude em luta.

sábado, 25 de junho de 2011

Por Rodolfo Mohr*
Há quem proclame o fim do Movimento Estudantil. Aquele bom e velho conjunto de estudantes que deixavam suas diferenças de lado e lutavam por um país melhor. Os estudantes brasileiros, através da União Nacional dos Estudantes (UNE), estiveram na campanha do “Petróleo é Nosso” na década de 1950. Fomos linha de frente no combate à ditadura militar. Comparecemos desde a primeira manifestação das Diretas Já nos anos 1980. Empunhamos a bandeira do impeachment de Collor com as caras pintadas em 1992. Porém, onde estiveram os estudantes durante todos os outros anos deste último século?
O Movimento Estudantil, como qualquer movimento social, possui diferenças internas. Entre um período e outro de visibilidade e transcendência das pautas meramente educacionais, passamos por longos processos de organização e debate.
A democracia que os estudantes brasileiros ajudaram a forjar, trouxe outros desafios e possibilidades. Não somos o único movimento para os jovens que lutam pelas transformações. A retomada da democracia em nosso país permitiu a proliferação de diversas novas formas de organização livre.
A conquista do pluripartidarismo permitiu também aos estudantes a unificação com outros ativistas em partidos políticos que disputassem a sociedade, ou seja, saímos literalmente da clandestinidade.
Durante o Fora Collor, muitos setores estudantis tinham propostas distintas sobre o que fazer após o impeachment. A diferença entre momentos como este e o que vive os estudantes da PUCRS é a democracia. Em todos os momentos citados, tivemos disputas de opinião canalizadas em eleições, assembleias e plebiscitos. Na PUCRS, dos últimos 20 anos, os estudantes viraram reféns de outros estudantes. Agora, estamos diante da queda do Muro de Berlim da PUCRS, graças à mobilização dos estudantes, ávidos por democracia.
Estamos às vésperas do 52º Congresso da UNE. Em Goiânia, milhares de estudantes disputarão o projeto de país que a UNE deve defender. Defenderemos os 10% do PIB para a Educação, o combate à corrupção, a solidariedade aos bombeiros do Rio de Janeiro e contra o novo Código Florestal. Infelizmente, a direção majoritária da UNE abandonou sua autonomia frente aos governos petistas, dando eco às críticas que o Movimento Estudantil recebe. Cabe aos estudantes, da UFRGS, da PUCRS e de todo o Brasil, retomarem a UNE para o curso de um projeto de Brasil independente, justo socialmente e soberano.
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* Rodolfo Mohr é coordenador de Movimento Estudantil do DCE/UFRGS
** Texto publicado originalmente no site Sul 21.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Por Ricardo Souza Araújo*
Vivemos um rico período para o movimento estudantil, este ano nas Universidades, é ano de Congresso da UNE onde são pautados os rumos nacionais do movimento estudantil e suas lutas.
Foram de congressos como esse que se irradiou por todo o país as grandes lutas encabeçadas pela entidade, como o combate à ditadura militar, as Diretas Já e o Fora Collor.
Durante muitos anos a história da UNE foi a história da luta democrática no nosso país, como uma das entidades da sociedade civil que tomaram posição de linha de frente em nome de nossos direitos. Infelizmente nos últimos anos a Direção Majoritária vem se burocratizado e fazendo vistas grossas ao corte de verbas de 3,1 bilhões da educação, ao aumento abusivo do salário dos deputados, o descaso governamental com as vítimas das enchentes, e vários escândalos de corrupção como: o Mensalão e os Atos Secretos de Sarney, sendo que a UNE deveria ser a primeira a assumir uma postura crítica, como faria em outros períodos históricos.
Por isso somos Oposição de Esquerda a atual direção majoritária, pois a história provou que as maiores conquistas da educação no nosso país se deram na luta de rua, e valendo-se do espírito jovem e crítico mostramos nosso grande potencial. Mas este não é o fim da UNE, ela não está defasada, não podemos confundir a cabeça com o corpo, não podemos condenar uma entidade histórica e combativa, pela qual muitos morreram, por conta de uma direção sem compromisso com o movimento. Não podemos dizer que milhões de estudantes do Brasil todo estão errados por reconhecerem e participarem da entidade sendo que inclusive aprende-se na escola o papel que a mesma desempenhou.
A pergunta que vem à cabeça é porque esse grupo permanece tantos anos na direção majoritária? Entre outros motivos é que o processo eleitoral do Conune é indireto, os estudantes elegem seus delegados (1 delegado a cada 1000 alunos) em suas universidades e no congresso é votada a direção, o que é menos democrático e menos inclusivo.
Então, nós da Oposição de Esquerda, em nossas chapas de Porto Alegre a Belém defendemos para os próximos congressos que a eleição da direção (presidentes, tesoureiros, secretários…) seja direta, nas próprias universidades, proporcionando um debate de propostas mais rico e maior enraizamento na base. Acreditamos que a mesma UNE que lutou pelas “Diretas Já!” para o povo brasileiro votar no presidente do seu país, deve ter já eleições diretas para seu presidente e sua direção!
 
* Ricardo Souza Araújo é estudante de Políticas Publicas na UFRGS.
# Texto publicado no blog da chapa UFGRS Pública e Popular, ligada à Oposição de Esquerda da UNE, que concorre às eleições de delegados na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Foi dada a largada no processo de eleição de delegados das Universidades de Santarém para o 52º Congresso da UNE, que ocorrerá no período de 13 a 17 de julho na cidade de Goiânia. Os acadêmicos da UFOPA foram os primeiros a se mobilizar para o processo eleitoral. A votação em urna ocorrerá nos dias 11 e 12 de maio, nos 3 campi da Universidade.
Apenas uma chapa se inscreveu para o pleito, a chapa AMANHÃ VAI SER OUTRO DIA, composta por militantes e simpatizantes do coletivo Romper o Dia! - um dos agrupamentos que compõem o bloco de oposição de esquerda no interior da União Nacional dos Estudantes.
A esquerda da UNE defende propostas para o movimento estudantil brasileiro em um sentido totalmente oposto à política da direção majoritária da UNE, composta atualmente pela UJS/PC do B e pela juventude do PT, grupos que apoiam acriticamente todos os projetos e medidas do governo Lula/Dilma, mesmo quando se tratam de ataques claros à Universidade pública e aos estudantes brasileiros.
Diante disso, a chapa AMANHÃ VAI SER OUTRO DIA levanta, em consonância com diversos outros grupos da oposição de esquerda da UNE, bandeiras de fundamental importância ao conjunto dos estudantes, como a combatividade, democracia e independência do movimento estudantil. Só aplicando na prática tais valores é que o movimento estudantil brasileiro poderá retomar o seu papel de protagonista nos principais processos de luta e transformação social no país. 
Com a juventude brasileira em luta, com certeza AMANHÃ VAI SER OUTRO DIA!
# Confira mais informações sobre o 52º Congresso da UNE no site da entidade: http://www.une.org.br/
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