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sexta-feira, 23 de outubro de 2015


Hoje a Câmara dos Deputados voltou no tempo e chegou à Idade Média. Foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) o PL 5.069/13 proposto pelo Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – acusado de desviar milhões na Lava Jato –, o qual limita o atendimento às mulheres vítimas de violência sexual pelos seguintes fatores:

1) Transforma a vítima de estupro em “ré”: a mulher terá que comparecer à delegacia e se submeter ao corpo delito para comprovar o estupro. Porém, no Brasil a grande maioria dos estupros ocorrem nas casas das vítimas e o agressor é um conhecido ou familiar. Muitos estupros não são denunciados por medo seja do agressor ou da exposição. Aprovar essa lei significaria muitas mulheres que sofreram violência sexual abandonarem as vias legais da interrupção da gravidez para as clandestinas (as quais 2 mulheres morrem a cada dia)

2) Pílula do dia seguinte: retira a profilaxia da gravidez, que é justamente a medicação que a previne, para um texto confuso onde autoriza procedimentos não abortivos de prevenção. Na prática seria, mulheres recorrem ao hospital, são encaminhadas para a segunda fase da violência que é o exame do corpo e delito, e após todo esse procedimento poderiam receber a pílula via SUS. E o problema: a pílula é eficaz até 72 horas, muitas não conseguiriam garanti-la gratuitamente e nesse caso quem precisa são as mais pobres.

3) Caça às mulheres que interrompem a gravidez: Faltou só proibir a população de pensar sobre. Hoje o aborto já é criminalizado e estima-se que 850 mil mulheres recorram ao procedimento, marginalizar mais o tema é a solução?

Eduardo Cunha da moralidade e do teto de vidro

Para o Cunha a moralidade é apenas quando se trata do corpo das mulheres e dos direitos LGBTs. Ela se esfarela ao deparar-se às acusações acerca da Lava Jato. Ele é tão ferrenho no seu fundamentalismo religioso que gastou mais de 600 mil (oriundas das contas na Suíça) em carros de luxo em nome da empresa Jesus.Com – parece piada, mas não é.

Ele é o principal inimigo da juventude e das mulheres. Ao tomar posse como presidente da Câmara esse ano declarou que o aborto só passaria pelo seu cadáver. E, logo em seguida é acusado de recebimento de propina e enriquecimento ilícito (seu patrimônio é 37 vezes maior que o declarado na Justiça Federal). Ao mesmo tempo aprova a redução da maioridade penal que criminaliza a juventude pobre e negra das periferias.

As mulheres ou o Eduardo Cunha no banco dos réus?

Criminalizar as mulheres que interrompem voluntariamente a gravidez não faz que não haja abortos, assim como proibir a maconha não impede que ninguém fume e etc.

No Brasil o aborto é legal em 3 casos: risco de morte materna, estupro e anencefalia. O retrocesso nessa lei atinge a possibilidade das vítimas de estupro terem um atendimento digno. É desencorajar que procurem ajuda médica e evitem uma gravidez indesejada. Dói mais profundamente para as mulheres que não tem condições financeiras de comprar numa farmácia a pílula do dia seguinte. Pílula esta que cumpre um papel importante nos direitos sexuais e reprodutivos da mulher.

Nós feministas temos que lutar, lutar e lutar. Cunha representa hoje o que existe de mais podre e retrógrado na política brasileira pois é um falso moralista, corrupto, machista, racista e LGBTfóbico. Projetos como esse não passarão e nessa luta estamos Juntas!

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Fonte: http://juntos.org.br/2015/10/foracunha-pelo-atendimento-qualificado-as-vitimas-de-estupro/

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Por Leila Bentes*
MARCHA DAS VADIAS ???
Esta deve ter sido a primeira frase que muitos homens e mulheres devem ter repetido ao ouvirem esse nome e, realmente o nome gera certo “desconforto” para algumas pessoas, pois traz em seu significado uma carga de (pré) conceito muito grande.
E foi com esse nome, “Marcha das Vadias” no inglês “SlutWalk”, que centenas de mulheres saíram às ruas,  no Canadá, para protestar contra a violência sexual.  O nome escolhido surgiu em forma de protesto às declarações machistas de um policial. O mesmo recomendava que, nós mulheres, teríamos que ‘evitar nos vestirmos como vagabundas, para não tornarmos vítimas de ataques sexuais’.A Marcha se apropria do nome “vadia”, que até então possuia um sentido pejorativo, e o (re) significa. “Se ser vadia é ser livre, então somos todas vadias”, diz a frase estampada em todas as marchas no Brasil.
E o que aconteceu no Canadá, de forma pública, acontece freqüentemente nas delegacias e locais de atendimentos as mulheres vítimas de violência sexual. A vítima sempre é questionada sobre suas roupas, suas condutas, seus hábitos e sobre seus parceiros sexuais, ocorrendo à inversão da culpabilidade: de vítima, ela passa a ser a culpada da agressão. A oposição rua X casa ainda é muito forte. Ela delimita lugares, impõem comportamentos – ao homem o público (rua) a mulher o privado (casa) – e quando rompemos com o parâmetro da “normalidade” há sempre uma ponderação nas falas ajustadas de milhares de brasileiros e brasileiras: “ também com aquela bermudinha e andando à noite o que esperava que acontecesse”.
No Brasil, a cidade de São Paulo foi a primeira capital brasileira a organizar a marcha seguida de outras cidades como Rio de Janeiro, Salvador, Brasília, Curitiba, Recife etc.
E agora, no dia 28 de Agosto, será a vez das mulheres de Belém (PA) tomarem as ruas para protestarem, não só contra a violência sexual, mas também contra qualquer tipo de opressão e ataque a dignidade e os direitos das mulheres paraenses.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Foi em meio a uma série de palavras de ordem sobre os rumos da UNE e as barbaridades do governo Dilma, sobre as tragédias da construção de Belo Monte e da aprovação do Código (Anti-) Florestal, de apoio à luta internacionalista na Grécia e no Chile, dentre outras diversas, que traziam à tona o que havia de mais urgente na ordem do dia e era negligenciado pelas bancadas-base do governo federal, que percebemos a força da voz e da pauta das mulheres.
Os quatro dias passados em Goiânia, durante o período do 52º Congresso da União Nacional dos Estudantes e, principalmente, durante o I Encontro Nacional do Juntos!, foram extremamente significativos para o fortalecimento da organização das mulheres em luta, indignadas com a reafirmação cotidiana do desrespeito, da subjugação, da retirada de direitos.
“Mulher, mulher, qual é sua missão? Dirigir a luta pra fazer revolução!”
No encontro de fundação oficial do Juntos!, a resolução referente à nacionalização do Coletivo Juntas! foi um dos diversos marcos que nortearão nossa organização a partir de agora. Seremos, no país inteiro, literalmente de norte a sul, um coletivo de mulheres dispostas a travar dia após dia, em todos os espaços que ocupemos, a luta pela nossa emancipação, sem nos calarmos diante das contradições.
É justamente por não nos furtarmos dos debates mais difíceis e por trazermos à tona os temas da conjuntura que tanto nos indigna e que buscamos transformar, é pela coerência da nossa luta que tornou possível uma das intervenções mais emocionantes do 52º CONUNE, quando mulheres e homens, de toda a Oposição de Esquerda unificada, tiraram as camisas e as giraram no ar, entoando palavras de ordem clamando pelos direitos das mulheres.

domingo, 29 de maio de 2011


Por Giulia Tadini*
Antes das Revoluções Árabes qual era a nossa visão sobre as mulheres mulçumanas? Lembramo-nos da Jade em “O Clone” fugindo de um casamento arranjado e da burca, ou então pensamos nas odaliscas em algum harém imaginário. Para além disso, costumamos explicitar as opressões que sofrem as mulheres mulçumanas, muitas vezes fazendo extensos debates sobre seus costumes, enquanto escondemos o quanto nós, “as ocidentais”, também somos oprimidas diariamente.
Mas, se isso é de fato verdade, onde estavam as mulheres que hoje estão nas ruas do Oriente Médio tendo papel protagonista nas Revoluções Árabes? Naomi Wolf em artigo na Al Jazeera [1] fala em uma revolução feminista no mundo árabe, na qual as mulheres transcendem os papéis rígidos de gênero e assumem posições de liderança nas manifestações. Após décadas, houve, neste ano, um 8 de março no mundo árabe.
Essa foto mostra estudantes que protestavam durante uma manifestação em frente ao edifício da principal da Universidade no Cairo para exigir a renúncia do reitor [2]. Nela podemos ver que em nada as mulheres do Egito correspondem ao estereótipo que temos delas. São mulheres lutando contra ditaduras, ocupando as ruas e praças e transformando sua realidade. São exemplos para as mulheres do mundo todo.
“As mulheres do Egito não só ‘se somam’ aos protestos, mas tem sido uma força destacada da evolução cultural que as tornou indispensáveis. E o que vale para o caso do Egito, pode se dizer também, em maior ou menor medida, para todo o mundo árabe. Quando as mulheres mudam, tudo muda; e as mulheres do mundo muçulmano estão mudando radicalmente” (Naomi Wolf).
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