sábado, 31 de outubro de 2015


Há um dilema na esquerda brasileira em meio a uma conjuntura negativa em todos os âmbitos. Em meio ao desmoronamento do projeto de poder lulista, que aglutinou durante décadas amplos setores da esquerda, vemos o avanço do capitalismo financeiro sobre os direitos trabalhistas, expresso também pela atual investida contra a previdência, o seguro-desemprego e a institucionalizada lei das terceirizações sem limites.

“O caminho para a retomada de um novo ciclo de mobilizações é o aprofundamento e a radicalização do trabalho de base. É o que nós acreditamos e vemos a Frente Povo Sem Medo como um instrumento para atingir esse objetivo”, afirma Guilherme Boulos, em entrevista concedida ao Correio da Cidadania. Para ele, é preciso se defender do avanço conservador, mas também criticar e se opor às políticas de austeridade.

Nesse sentido, diversos esforços têm sido feitos. No âmbito do lulismo, foi formada a Frente Brasil Popular, com a militância governista à frente e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como grande figura, ladeado por nomes como João Pedro Stédile, líder do MST. É inevitável associá-la à disputa presidencial de 2018. Apesar disso, vê-se um esforço por parte da militância em barrar retrocessos sociais promovidos pelo líderes do Congresso.

“A saída para a crise não pode ser a proposta pela direita. Tampouco são essas políticas de austeridade, que põem a conta nas costas dos trabalhadores. Precisamos de uma saída à esquerda, taxar os ricos e fazer o enfrentamento necessário para que tenhamos um projeto popular”, afirmou.

Guilherme Boulos, além de ressaltar a urgência de se promover o trabalho de base, faz uma breve análise sobre sua decadência como prática da esquerda e dos movimentos sociais, apesar de sua importância para uma retomada das ruas. “O preço de ter deixado o trabalho de base para centrar-se na disputa institucional foi altíssimo para a esquerda brasileira. E não tem espaço vazio na política. Esse espaço foi ocupado, hoje, principalmente pelas igrejas pentecostais e neopentecostais. Elas fazem trabalho de base”, pontuou.

Confira abaixo a entrevista completa.

Correio da Cidadania: É possível defender reformas com viés popular e ao mesmo tempo demonstrar apoio, ainda que crítico, ao governo federal e sua série de políticas de austeridade?

Guilherme Boulos: A nossa postura não é de apoio ao governo. É uma postura de defesa das reformas populares e de crítica às políticas de austeridade. Isso precisa ficar claro. Por outro lado, nós não nos misturamos com aqueles que defendem a derrubada do governo, acabando por construir uma saída ainda mais à direita do que a colocada hoje no país. Nós não acreditamos que a construção com o Michel Temer e o PSDB possa ser boa para os brasileiros. Por outro lado, isso não nos faz defender o governo. É importante dizer isso. Se transformarem a discussão em “pão-pão, queijo-queijo” não conseguimos fazer uma discussão séria. O cenário é complexo e precisamos de posições que o respondam.

O que estamos construindo na Frente Povo Sem Medo (e também reflete a posição do MTST), é a necessidade de um enfrentamento às políticas de austeridade do governo. Ao mesmo tempo, fazer enfrentamento a essa ofensiva conservadora que ocorre no país e não tem só o governo como parte, mas também setores da direita histórica brasileira, encastelados no parlamento.

Uma elite típica da Casa Grande, que promove um discurso e uma prática nesse sentido. E, claro, defendemos uma saída à esquerda, com reformas populares. A saída para a crise não pode ser a proposta pela direita. Tampouco são as políticas de austeridade, que põem a conta nas costas dos trabalhadores. Precisamos de uma saída à esquerda, taxar os ricos e fazer o enfrentamento necessário para que tenhamos um projeto popular em pauta.

Correio da Cidadania: Qual sua perspectiva, através da Frente Povo Sem Medo, para chegarmos ao ponto de taxar as grandes fortunas e, enfim, termos uma resposta com corte popular à conjuntura?

Guilherme Boulos: Precisamos retomar as ruas. Programa revolucionário nunca fez revolução. Não adianta ter as melhores ideias e os melhores programas se não tiver força social. Não vai ter gente na rua para defendê-los. Isso é esquecido por uma parte da esquerda que fica em uma coisa quase masturbatória em torno de programas que não acumulam força e não geram impacto social.

A proposta da Frente Povo Sem Medo é reconstruir um ciclo de mobilização social no Brasil. Construir uma capacidade de mobilização que implica trabalho de base, ou seja, a retomada do trabalho de base dos movimentos sociais e a construção de uma agenda de amplas mobilizações. Acreditamos que isso trará condições para estabelecer de forma séria um projeto de reformas populares e de saída da crise “pela esquerda”.

Correio da Cidadania: Há outros movimentos que fazem uma leitura parecida, por exemplo, a CUFA (Central Única das Favelas) que coloca que a esquerda, seja ela partidária ou de movimentos da sociedade civil em geral, se ausentou completamente nas últimas décadas das periferias e esse espaço foi ocupado por outros setores, como por exemplo as igrejas neopentecostais. E, por falar sobre redes e ruas, como você avalia que a esquerda possa retomar esse espaço de protagonismo na disputa política pelas periferias?

Guilherme Boulos: Isso é essencial. O trabalho que a esquerda brasileira desenvolveu nos anos 80, por exemplo, com o sindicalismo enraizado, uma série de iniciativas comunitárias, como as Comunidades Eclesiais de Base que desenvolveram um método bastante utilizado na base, foi sendo paulatinamente substituído por uma estratégia parlamentar institucional. A questão não era mais formar núcleos nas comunidades. A questão era formar comitês eleitorais, eleger uma bancada parlamentar maior, prefeitos, governadores e chegar à presidência da República. Chegou-se lá. E todo o processo, ao contrário do discurso de que “faríamos isso para mudar o sistema político”, acabou absorvido pelo sistema político.

O preço de ter deixado o trabalho de base para centrar-se na disputa institucional foi altíssimo para a esquerda brasileira. E não tem espaço vazio. Como se mencionou, tal espaço foi ocupado, principalmente, pelas igrejas pentecostais e neopentecostais, porque elas fazem trabalho de base. O que a esquerda deixou de fazer, elas fazem. Às vezes o pessoal se impressiona: “poxa, que coisa incrível, eles colocam um milhão na rua, o que está acontecendo?” Eles fazem o feijão com arroz que a esquerda e os movimentos sociais já fizeram e deixaram de fazer. Temos que retomar isso. Às vezes o pessoal acredita em saídas mágicas. Não há saída mágica para a construção social.

Temos novas condições, como as redes sociais, campo de uma disputa que também precisa ser travada. Não podemos ter uma visão conservadora quanto a isso, uma visão “brucutu” sobre as redes, mas ao mesmo tempo não podemos continuar mistificando quais são as saídas. É preciso fazer trabalho de base, nosso feijão com arroz. É preciso subir o morro, sujar o pé com barro, gastar tempo, estar com as pessoas, ao lado delas.

Se a esquerda não retomar isso, a ofensiva conservadora só vai crescer no nosso país. O caminho para a retomada de um novo ciclo de mobilizações é o aprofundamento e a radicalização do trabalho de base. É nisso que nós acreditamos e vemos a Frente Povo Sem Medo como um instrumento para atingir tal objetivo.

Correio da Cidadania: Tendo em vista esse dilema, entre um projeto institucional e a proposta de retomar o trabalho de base, conceitos que naturalmente se chocam, como é possível construir uma alternativa de esquerda e, ao mesmo tempo, manter um diálogo próximo com os setores que abandonaram o trabalho de base em troca da institucionalidade?

Guilherme Boulos: Uma parte da esquerda comete o erro de achar que dialogar é contaminar, que não se pode dialogar e compor um espaço com quem se diverge, porque seria uma traição, uma contaminação, ou seja, é uma ideia muito purista. Nós temos na esquerda um purismo muito danoso. É meio que o discurso do ovo de ouro, não é? O ovo de ouro é uma coisa brilhante, bonita, mas não serve para nada. Ter um discurso puro, reto, perfeito, não dialogar com as contradições, não dialogar com quem tem base social, me desculpe, podem dizer o que quiserem, mas a CUT é a maior central sindical do Brasil, onde está a maior parte dos sindicatos do país. Achar que vamos construir espaços de unidade, de mobilização social, sem dialogar com a CUT, é uma ilusão. Eu não acredito nisso. Posso não concordar com tudo o que a CUT diz, mas nem por isso eu não posso sentar e discutir com ela.

O que define uma alternativa é o tom que ela vai ter. Se há um acordo, do ponto de vista de enfrentar a ofensiva conservadora e as políticas de austeridade do atual governo, de manter uma independência firme e de construção de saídas populares para a crise, essa é a plataforma. Se fulano ou cicrano estão ali ou não, não somos nós quem vamos definir. Unidade se faz dessa forma, não é só com quem a gente concorda. Isso não é unidade, é identidade. Quem não tem capacidade de tolerar e dialogar com quem pensa diferente não vai construir nada de relevante no país.

Correio da Cidadania: Diante de toda essa conjuntura, como fica a questão da moradia? As políticas públicas e os setores da sociedade organizados em torno de tal demanda?

Guilherme Boulos: Junto com os servidores públicos, a moradia foi o setor mais atacado pelo ajuste fiscal. O Minha Casa Minha Vida foi paralisado. Este ano não houve contratações para o programa. Só um, o empreendimento Copa do Povo, do MTST. Enfim, praticamente foram zeradas as contratações no país todo, em nome de políticas que fazem os trabalhadores pagarem pela crise.

Temos críticas ao programa Minha Casa Minha Vida. Vemos vários limites nele. Mas a alternativa não é acabar com esse programa e deixar o país sem política habitacional. O MTST tem feito vários enfrentamentos: semana passada, ocupamos sedes do Ministério da Fazendo no país todo, em Brasília, em São Paulo e em outras capitais, para exigir a retomada dos investimentos em habitação popular. A política do governo, de ajuste fiscal, é um tiro no pé. Em todos os sentidos. A questão da construção de habitações não é só deixar de atender a uma demanda social, mas tem a ver com emprego, ou seja, acaba deixando de movimentar a economia.

O ajuste, quando aumenta juros, corta investimentos e gera recessão na economia, diminui também a arrecadação e pode gerar um novo desajuste fiscal. Essa política que está sendo aplicada é inconsequente, inaceitável e precisa ser enfrentada nas ruas. O MTST tem feito isso, a Frente Povo Sem Medo o fará após sua formalização e, retomando a pergunta, eu digo que a moradia foi o direito social, talvez, mais afetado pelo ajuste fiscal. Junto, claro, com os servidores públicos, tanto que fizemos uma luta conjunta no último dia 23.

Além disso, vemos uma série de ataques aos trabalhadores através da diminuição do seguro desemprego, pensões etc. Agora estão falando em mexer na previdência, na aposentadoria, um absurdo que precisa ser enfrentado, venha de onde venha. Se fosse um governo do PSDB nós enfrentaríamos na rua. Não é porque o governo que está fazendo isso é do PT que nós não vamos para a rua enfrentar.

Raphael Sanz e Felipe Bianchi são jornalistas

Esta entrevista foi feita em parceria com o Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015


Hoje a Câmara dos Deputados voltou no tempo e chegou à Idade Média. Foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) o PL 5.069/13 proposto pelo Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – acusado de desviar milhões na Lava Jato –, o qual limita o atendimento às mulheres vítimas de violência sexual pelos seguintes fatores:

1) Transforma a vítima de estupro em “ré”: a mulher terá que comparecer à delegacia e se submeter ao corpo delito para comprovar o estupro. Porém, no Brasil a grande maioria dos estupros ocorrem nas casas das vítimas e o agressor é um conhecido ou familiar. Muitos estupros não são denunciados por medo seja do agressor ou da exposição. Aprovar essa lei significaria muitas mulheres que sofreram violência sexual abandonarem as vias legais da interrupção da gravidez para as clandestinas (as quais 2 mulheres morrem a cada dia)

2) Pílula do dia seguinte: retira a profilaxia da gravidez, que é justamente a medicação que a previne, para um texto confuso onde autoriza procedimentos não abortivos de prevenção. Na prática seria, mulheres recorrem ao hospital, são encaminhadas para a segunda fase da violência que é o exame do corpo e delito, e após todo esse procedimento poderiam receber a pílula via SUS. E o problema: a pílula é eficaz até 72 horas, muitas não conseguiriam garanti-la gratuitamente e nesse caso quem precisa são as mais pobres.

3) Caça às mulheres que interrompem a gravidez: Faltou só proibir a população de pensar sobre. Hoje o aborto já é criminalizado e estima-se que 850 mil mulheres recorram ao procedimento, marginalizar mais o tema é a solução?

Eduardo Cunha da moralidade e do teto de vidro

Para o Cunha a moralidade é apenas quando se trata do corpo das mulheres e dos direitos LGBTs. Ela se esfarela ao deparar-se às acusações acerca da Lava Jato. Ele é tão ferrenho no seu fundamentalismo religioso que gastou mais de 600 mil (oriundas das contas na Suíça) em carros de luxo em nome da empresa Jesus.Com – parece piada, mas não é.

Ele é o principal inimigo da juventude e das mulheres. Ao tomar posse como presidente da Câmara esse ano declarou que o aborto só passaria pelo seu cadáver. E, logo em seguida é acusado de recebimento de propina e enriquecimento ilícito (seu patrimônio é 37 vezes maior que o declarado na Justiça Federal). Ao mesmo tempo aprova a redução da maioridade penal que criminaliza a juventude pobre e negra das periferias.

As mulheres ou o Eduardo Cunha no banco dos réus?

Criminalizar as mulheres que interrompem voluntariamente a gravidez não faz que não haja abortos, assim como proibir a maconha não impede que ninguém fume e etc.

No Brasil o aborto é legal em 3 casos: risco de morte materna, estupro e anencefalia. O retrocesso nessa lei atinge a possibilidade das vítimas de estupro terem um atendimento digno. É desencorajar que procurem ajuda médica e evitem uma gravidez indesejada. Dói mais profundamente para as mulheres que não tem condições financeiras de comprar numa farmácia a pílula do dia seguinte. Pílula esta que cumpre um papel importante nos direitos sexuais e reprodutivos da mulher.

Nós feministas temos que lutar, lutar e lutar. Cunha representa hoje o que existe de mais podre e retrógrado na política brasileira pois é um falso moralista, corrupto, machista, racista e LGBTfóbico. Projetos como esse não passarão e nessa luta estamos Juntas!

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Fonte: http://juntos.org.br/2015/10/foracunha-pelo-atendimento-qualificado-as-vitimas-de-estupro/



*Por Vladimir Safatle

Alguém que tivesse ido embora do Brasil em 2011 e voltasse agora acreditaria ter errado de país. Nada sobrou daquele país que acreditava estar em marcha irresistível para se transformar na quinta economia mundial e cuja presidenta alcançava cumes de popularidade. País que se vangloriava de ter escapado da crise de 2008 com uma impressionante velocidade de recuperação, além de vender para o mundo a imagem de ser o único BRIC que poderia realmente dizer possuir uma democracia consolidada.

Aquele que vem hoje ao Brasil encontra um país completamente paralisado, cuja população assiste, com um misto de sentimento entre o horror e a paralisia, aos lances diários de uma política gangsterizada levada a cabo por um casta que luta entre si não para saber qual será o programa a ser implementado, mas simplesmente para saber quem usufruirá do botim. Uma política que chegou ao ápice maior da hipocrisia. Um nível de hipocrisia difícil de suportar até mesmo para nós, acostumados a ter de lidar com uma classe política conhecida por frequentar as páginas policiais.

Por exemplo, é só mesmo como uma pantomima circense que alguém pode abrir o jornal nesta semana e ver a foto de alguns "doutos" ligados ao PSDB e alguns "representantes" de movimentos "anticorrupção" entregar ao "ilibado" presidente da Câmara, o sr. Eduardo Cunha, um enésimo pedido de impeachment. O mesmo senhor que mentiu descaradamente a uma CPI sobre a existência de contas suas na Suíça, que luta desesperadamente para preservar-se no cargo a despeito de acusações da Justiça Federal sobre seu envolvimento orgânico em corrupção na Petrobras e que, agora, cria factoides para tentar desviar a opinião pública de sua situação espúria.

O último de seus factoides é uma lei que visa a dificultar as práticas de aborto em um país cujas leis sobre o assunto são de uma violência brutal e arcaica contra as mulheres. De acordo com as novas leis que podem passar no Congresso, ficará mais difícil e humilhante provar casos de estupros, e mesmo a pílula do dia seguinte poderia parar de ser vendida. Não é à toa que uma lei deste quilate seja apresentada por um senhor que não tem pudor sequer para mentir a uma CPI.

Muito de seu sentimento de carta branca para chantagear o país deve ser creditado a setores hegemônicos da imprensa brasileira que relutaram em fazer seu papel. Em vez de fornecer ao país a ficha pregressa deste senhor e de atentar a opinião pública para sua procedência das hostes de Collor e PC Farias, assim como para os múltiplos casos de corrupção nos quais ele aparecia envolvido, veículos de comunicação preferiram vender a imagem de um líder combativo, que poderia enfim emparedar um governo combalido e eivado de corrupção por todos os lados. Um pouco como quem pensa que pouco importa a cor do gato, desde que ele casse o rato. No entanto, ninguém nunca viu ratos caçarem ratos.

Mas mesmos aqueles que procuram defender o governo de um impeachment deveriam reconhecer o que realmente está em jogo. Não estamos assistindo a alguma tentativa de golpe contra um programa popular de esquerda. Desculpe-me, mas Dilma não é João Goulart, nem Joaquim Levy é Celso Furtado. Estamos assistindo a uma luta sangrenta para saber que grupo comandará um programa já decidido de véspera, e que não mudará. Mesmo as pequenas margens de diferença que existiam entre a versão petista do programa e a versão tucana foram queimadas. Ou seja, o cenário está mais para luta florentina pelo poder por meio de jogos de bastidores do que para embate realmente político a respeito de concepções distintas da vida econômica e social. Por isto, em vez de procurar justificativas para a defesa contra o impeachment, servindo assim de anteparo contra um governo morto, melhor seria se estivéssemos realmente comprometidos em construir alternativas para além deste cenário de filme de horror.

Tudo isto é o resultado do que ocorreu em 2013. Na verdade, 2013 foi um dos mais importantes acontecimentos da história brasileira não por aquilo que ele produziu, mas por aquilo que ele destruiu. O Brasil de 2011 está longe porque ocorreu 2013. Desde então, ficou claro como nenhum ator político brasileiro, à esquerda e à direita, estava à altura dos desafios postos pelas manifestações, de suas demandas de reinvenção da experiência política e de nova partilha das riquezas. 2013 destituiu todos os atores políticos. A partir de então, a política brasileira virou o ringue de atores destituídos que lutam desesperadamente para impedir que algo realmente novo aconteça. Mesmo que, para justificar a imobilidade, eles precisem inventar um impeachment.



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*É professor livre-docente do Departamento de Filosofia da USP (Universidade de São Paulo)





Fonte: Folha de São Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/2015/10/1697277-um-filme-de-horror.shtml?cmpid=newsfolha

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Acaba de ser proferida, pelo Juiz Laércio de Oliveira Ramos, da 3ª Vara Cível da Comarca de Santarém, decisão liminar que garante aos estudantes da UNIP a participação na cerimônia de outorga de grau, agendada para o dia 17 de setembro, sem qualquer custo adicional. Da mesma forma, o magistrado determinou que a UNIP respeite os contratos firmados pelos alunos com outras empresas de formatura.

A decisão foi tomada em ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual contra a Universidade Paulista (UNIP), cuja Coordenação local (Polo de Santarém) impôs unilateralmente aos seus acadêmicos a contratação da sua empresa parceira "Mais Formatura" para cobertura exclusiva do evento de outorga de grau, mediante o pagamento de R$ 290,00 e com a proibição de entrada de aluno ao evento com aparelho de registro de imagens.

Em sua decisão, o Juiz Laércio de Oliveira Ramos considerou ILÍCITO "que a ré celebre parcerias com empresas e, ao invés de arcar com o dispêndio da sua atitude, queira atribuir unilateralmente aos seus alunos obrigações, gastos, prejuízos ou constrangimentos, pois sequer poderiam registrar o ato numa simples fotografia. (...) No mesmo sentido, se revela ilícita a atitude de inviabilizar que os alunos possam contratar livremente a empresa que bem lhes convier para a cobertura da outorga de grau. Isso é um direito do alunado e cabe à IES fornecer todos os elementos necessários para o sucesso do evento preparado e tão esperado pelos alunos, amigos e familiares."

Essa atitude abusiva da Coordenação da UNIP já havia sido denunciada em ato público organizado pelos estudantes da instituição, com o apoio da União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém (UES), no dia 25 de agosto deste ano. Na ocasião, os estudantes fecharam por mais de uma hora a Av. Mendonça Furtado, exigindo o fim da "taxa de outorga" e a dispensa da Coordenadora de Santarém do seu cargo.

A decisão liminar da 3ª Vara Cível de Santarém, atendendo aos clamores do Ministério Público e dos estudantes, definiu que: a) a UNIP permita que as empresas contratadas pelos alunos concluintes realizem os trabalhos por eles ajustados para a cobertura de outorga de grau; e b) que a UNIP assegure que os alunos concluintes possam, independentemente de terem firmado contrato ou efetuado pagamento à empresa "Mais Formaturas", adentrar ao recinto para receberem o grau, portando aparelhos amadores
de registro de imagens e vídeo, podendo captar imagens de toda a cerimônia.". 

Para o caso de descumprimento da ordem judicial, foi fixada multa de R$ 10.000,00 para cada aluno prejudicado.

Assim, a Justiça Estadual reparou a injustiça que estava sendo praticada pela Coordenação da UNIP-Santarém e garantiu a todos os estudantes concluintes da UNIP o sagrado direito de participar da cerimônia de outorga de grau, momento importante que coroa o encerramento de um ciclo na formação acadêmica de cada estudante.

Clique e confira a Liminar

terça-feira, 25 de agosto de 2015




A Direção da União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém (UES) vem a público REPUDIAR a atitude da Coordenação da Universidade Paulista (UNIP), Polo de Santarém, de impor aos estudantes concluintes uma taxa de R$ 300,00 como requisito à participação dos mesmos na cerimônia de outorga de grau este ano. A cerimônia está marcada para o dia 17/09/2015, e só poderão participar dela os acadêmicos que pagarem a referida taxa “simbólica” para a UNIP e a empresa Mais Formatura, que está organizando o evento. 

Há cerca de um ano, estudantes de vários cursos da instituição – com destaque para os acadêmicos de Administração/Turma 2011.2 – vêm tentando dialogar com a Coordenação para que reveja a cobrança da referida taxa, que é absurda e ilegal. Mas a Coordenadora da UNIP se mantém irredutível em violar os direitos estudantis e se recusa a negociar com os representantes das turmas. Situação essa que é inadmissível, pois receber o diploma com toda a solenidade faz parte do cronograma acadêmico de qualquer espaço educacional de ensino superior.

A UES repudia esse comportamento autoritário da atual gestão da UNIP, que age de maneira impositiva e restringe as portas da direção para o corpo discente da instituição. Fica bem claro que a instituição está visando apenas o lucro quando cobra uma taxa abusivamente elevada para realizar um evento que é responsabilidade somente da própria faculdade. Os custos da solenidade de outorga de grau já são cobertos com as mensalidades pagas por cada estudante. A cobrança de qualquer taxa para isto é ilegal.

Temos acompanhado a negligência da instituição de ensino UNIP com a qualidade da educação, que é tratada como mera mercadoria, quando em diferentes contextos não leva em consideração a qualidade dos conteúdos repassados – é recorrente o deslocamento de professores das suas áreas de atuação para outras, visando “economizar” recursos com corpo docente; há inúmeros transtornos com a infraestrutura, como se percebe na superlotação em salas de aula da maioria dos cursos, além da ausência de espaços de atividades lúdicas.

NÃO vamos aceitar a mercantilização da educação, nem o desrespeito aos direitos estudantis. A UNIP precisa respeitar os estudantes que confiaram nela seu investimento financeiro para galgar novas possibilidades com o ensino superior, e deve agora ouvir seus acadêmicos e democraticamente buscar soluções imediatas para resolver o problema posto em relação à cerimônia de outorga de grau.



UNIÃO DOS ESTUDANTES DE ENSINO SUPERIOR DE SANTARÉM (UES)

quinta-feira, 11 de junho de 2015



Estudantes do Programa de Antropologia e Arqueologia (PAA) lançam nota pública denunciando falta de democracia e exigem maior participação dos estudantes nos órgão colegiados do programa.

quarta-feira, 29 de abril de 2015



Se aprovado o reajuste, a passagem cheia passará a custar R$ 3,10 e o passe estudantil R$1,03.

Será votado nesta terça-feira (05/05), no Conselho Municipal de Transporte (CMT) o aumento da tarifa do transporte público em Santarém. Em reunião realizada no dia 28/04, foi apresentada ao plenário do Conselho uma proposta absurda de mais de 61% de reajuste no valor da tarifa. Dos atuais R$ 1,90, a tarifa cheia passaria a custar R$ 3,10, e dos R$0,65 do passe estudantil, de acordo com a proposta, passaria a R$1,03.

A União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém (UES), enquanto representação dos estudantes no referido conselho, repudia este ataque aos direitos dos estudantes e trabalhadores. Não vamos permitir nenhum aumento!

Por isso, convocamos a categoria estudantil e trabalhadores a participar do Ato Contra o Aumento da tarifa do transporte público em Santarém. A concentração será na Av. Tapajós, próximo ao Museu João Fona, em frente CIAM, no dia 05 de maio às 15h.

Vamos pressionar os conselheiros governistas e os empresários a recuarem na proposta do reajuste. Vamos Juntos!

#EsseAumentoNãoPassará!
#NãoPagaremosEssaConta!


terça-feira, 7 de abril de 2015


Por Felipe Bandeira*

A PEC 4330/2004 de autoria do deputado federal Sandro Mabel (PMDB-GO), que regulariza  a contratação de terceirizados para a realização dos serviço-fim das empresas está sendo debatido no Congresso e pode ser aprovado ainda hoje. Trata-se de um duro golpe nos direitos conquistados pelos trabalhadores nas últimas décadas.
Caso aprovada, a PEC garante legalidade a todas as fraudes trabalhistas existentes hoje no Brasil. De acordo com o auditor fiscal do trabalho do estado de São Paulo, Renato Bignami, a proposta trata da externalização total e completa dos riscos das atividades econômicas, retirando dos ombros das empresas o “peso” de garantias e direitos do trabalhador.
Sobre a questão da precarização do trabalho, Marx chamou de Composição orgânica do Capital, a quantidade e a qualidade com que o trabalho e capital se articulam. A medida com que aumenta a taxa de mais-valia, a taxa de exploração do trabalho também aumenta. A consequência disto é o aumento relativo do trabalho morto (máquinas, insumos etc.) em relação ao trabalho vivo, aumentando desta forma, a produtividade do trabalho de modo a intensificar a apropriação do sobretrabalho em tempo cada vez mais reduzido.
Nos períodos de bonança, os capitalistas aumentam a proporção do trabalho morto em relação ao vivo. No entanto, quando ocorre o surgimento de um novo ciclo econômico – impulsionado pelas crises – o trabalho vivo aumenta seu lastro em relação às máquinas.
Em termos gerais, para se manter, o capital precisa se ampliar constantemente, embora o movimento de acumulação nem sempre percorra uma reta ascendente. Para corrigir as “fugas de rota”, os capitalistas adotam as terceirizações e subcontratações, ocasionado uma drástica queda no valor da força de trabalho.
Uma pesquisa realizada pelo DIEESE e CUT apontou que o trabalhador terceirizado trabalha em média três horas a mais por semana e recebe 27% a menos que um empregado direto. Isto mostra que o movimento de retirada de direitos e supressão da legislação vigente garante maior flexibilidade para aumentar o lucro dos patrões.
Embora, jornais e a imprensa de modo geral divulguem polêmicas entre o governo federal e o Congresso Nacional, obviamente não existe nenhuma divergência no plano prático, tratando este de aperfeiçoar as medidas de austeridade do governo federal.
Claro está que nem centrais sindicais atreladas ao governo, nem a oposição de direita poderão apontar a saída para crise. Esta só será eficaz se construída nas ruas pelos trabalhadores.

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*Coordenador Geral da UES, militante do juntos! e acadêmico de Ciências Econômicas da UFOPA.

quarta-feira, 1 de abril de 2015



Informamos a todos os estudantes de Santarém que o prazo de vencimento das carteiras estudantis 2014 será prorrogado por 15 (quinze) dias. A decisão começa a vigorar a partir do dia 06 de abril de 2015.
É importante ressaltar que as carteiras vencidas em 31 de março, permanecerão bloqueadas até segunda-feira (06 de abril). Questionado pela UES sobre o porquê o desbloqueio não ocorrer de forma imediata, o presidente do Setrans, Washington do Vale, afirmou existem impedimentos técnicos, como a atualização do banco de dados.
A medida visa diminuir as filas e as horas de espera dos estudantes que desejam desbloquear suas carteiras estudantis.

01 de Abril de 2015.

União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém (UES)
Felipe de Lima Bandeira

Coordenador Geral da UES

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Por Vladimir Safalte


“A situação desesperadora da época na qual vivo me enche de esperanças.” A frase é de Marx, enunciada há mais de 150 anos. Ela lembrava como situações aparentemente sem saída eram apenas a expressão de que enfim podíamos começar a realmente nos livrar dos entulhos de um tempo morto.
Há tempos, insisti que o lulismo entraria em um esgotamento. Era uma questão de cálculo. Chegaria um momento em que o crescimento só poderia continuar por meio de políticas efetivas de combate à desigualdade e acumulação. Afinal, estamos falando de um país que, ao mesmo tempo, apresenta crescimento econômico próximo a zero e bancos, como o Itaú, com lucro anual de 20 bilhões de reais. Um crescimento de 29% em relação a 2013, com inadimplência recuando para mínima recorde.
“Políticas efetivas de combate à desigualdade e acumulação” significa, neste contexto, ir atrás do dinheiro que circula no sistema financeiro e seus rentistas blindados. Mas isto o governo não seria capaz de fazer. Difícil fazê-lo quando você também se torna alguém a frequentar a roda dos dançarinos da ciranda financeira.
Ninguém atira no próprio pé, ainda mais quando se é recém-chegado à festa.
Restou ao governo federal duas coisas. Primeiro, chorar por não ser tratado como um tucano. É verdade. Nada melhor no Brasil do que ser tucano. Como acontece hoje no Paraná, você pode quebrar seu Estado, colocar quatro de suas universidades públicas em risco de fechamento por falta de repasse e, mesmo assim, irão te deixar em paz. Nenhuma capa de revista sobre seus desmandos nem sobre seus casos de corrupção.
Por estas e outras, o sonho de consumo atual de todo petista é ser tratado como um tucano. Eles até que se esforçaram bastante.
Fora isto, resta ao governo ser refém de um Congresso que ele próprio alimentou. Na figura de gente do porte de Eduardo Cunha e seus projetos de implementar o “dia do orgulho heterossexual”, entregar o legislativo à bancada BBB (Bíblia, Boi e Bala) e contemplar cada deputado com seu quinhão intocado de fisiologismo, o Brasil encontra a melhor expressão da decadência e da mediocridade própria ao fim de um ciclo.
Neste contexto, podemos enfim ver claramente como as alternativas criadas após o fim da ditadura militar não podiam de fato ir muito longe. Nenhuma delas sequer passou perto da necessidade de quebrar tal ciclo de miséria política dando mais poder não aos tecnocratas ou aos “representantes”, mas diretamente ao povo, que continua a esperar seu momento.
Por isto, a situação desesperadora me enche de esperanças.
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